“Pedi e recebereis”

Os homens julgam que Eu sou o Deus terrível e que precipito toda a humanidade no inferno. Que surpresa, no fim dos tempos, quando virem tantas almas, que julgavam perdidas, usufruir da eterna felicidade, no meio dos eleitos!

Gostaria que todas as minhas criaturas tivessem a convicção que há um Pai que vela por elas e que gostaria de lhes dar mesmo nesta Terra, uma antecipação da felicidade eterna.

Uma mãe nunca esquece a pequena criatura que acaba de dar à luz. Não é ainda mais belo da minha parte lembrar-Me de todas as criaturas que coloco no mundo?

Ora, se a mãe ama este pequeno ser que Eu lhe dei, Eu o amo mais do que ela porque o criei. Se uma mãe amasse menos o seu filho por causa de algum defeito, Eu, pelo contrário, amá-lo-ia ainda mais. Ainda que ela o viesse a esquecer ou só raramente a pensar nele, sobretudo quando a idade o subtraísse à sua vigilância, Eu nunca o esquecerei. Amo-o sempre, e ainda que ele não mais se lembre de Mim, seu Pai e seu Criador, Eu lembro-me dele e continuo a amá-lo.

Disse-vos mais acima que queria dar-vos mesmo nesta Terra a felicidade eterna, mas vós não compreendestes esta frase. Eis o seu significado:

regresso_filho_prodigoSe Me amais e Me chamais com confiança com o doce Nome de Pai, começais já nesta Terra a viver no amor e na confiança que farão a vossa felicidade na Eternidade e que cantareis no Céu na companhia dos eleitos. Não é isso uma antecipação da felicidade do Céu que durará eternamente?

Desejo, pois, que o homem se recorde muitas vezes que Eu estou onde ele está. Que não poderia viver se Eu não estivesse com ele, vivendo como ele. Apesar da sua incredulidade nunca deixo de estar ao pé dele.

Ah! Como eu desejo ver realizar-se o projeto que vos quero comunicar e que é o seguinte: Até agora o homem nunca pensou em dar a Deus, seu Pai, o prazer que vou revelar:

Eu queria ver estabelecer-se, uma grande confiança entre o homem e o seu Pai dos Céus, um verdadeiro espírito de familiaridade e de delicadeza para não se abusar da minha grande Bondade. Eu conheço as vossas necessidades, os vossos desejos, e tudo o que tendes em vós. Mas como ficaria contente e reconhecido se vos visse vir ter comigo e fazer-Me as confidências das vossas necessidades, como um filho confiante faz com o seu pai! Como vos poderia recusar fosse o que fosse, de menor ou de maior importância, se Mo pedísseis?

Ainda que não Me vejais, não Me sentis ao pé de vós através dos acontecimentos? Como seria meritório para vós, um dia, o fato de terdes acreditado em Mim sem Me terdes visto!

Mesmo agora, que Eu estou aqui, em pessoa, no meio de todos vós, que vos falo, repetindo-vos sem cessar, sob todas as formas, que vos amo e quero ser conhecido, amado e honrado com um Culto Especial, vós não Me vedes, exceto uma única pessoa, aquela a quem dito a Mensagem! Uma única, em toda a Humanidade! No entanto, Eu vos falo e naquela que Eu vejo e a quem falo, vejo-vos a vós todos e falo-vos a todos e a cada um e amo-vos como se Me vísseis!

Desejo, pois, que os homens Me possam conhecer e sentir que Eu estou junto de cada um deles! Lembrai-vos ó homens, que Eu desejaria ser a esperança da Humanidade -e não o sou já? Se Eu não fosse a esperança do homem, o homem estaria perdido! Mas é preciso que Eu seja conhecido como tal, para que a Paz, a Confiança e o Amor, entrem no coração dos homens e cheguem a pô-los em relação com o seu Pai do Céu e da Terra!

Não penseis que Eu sou aquele terrível velho que os homens representam nas suas imagens e livros. Não, não! Eu não sou nem mais velho, nem mais novo, que o meu Filho e o meu Espírito Santo!

É por isso que Eu gostaria que todos, desde a criança ao idoso, Me chamassem pelo nome familiar de Pai e de Amigo, pois estou sempre convosco, e de Irmão, pois Me faço semelhante a vós, para vos ver fazer semelhantes a mim.

Como ficaria contente se visse os pais ensinarem aos seus filhos, a chamar-Me muitas vezes pelo Nome de Pai, como Eu o sou! Como Eu desejaria ver colocar nessas almas jovens uma confiança, um amor todo filial para comigo! Fiz tudo por vós; não fareis isso por Mim?

Gostaria de Me estabelecer em cada família como num domínio Meu, para que todos pudessem dizer, com toda a segurança: “Temos um Pai que é infinitamente Bom, imensamente rico e altamente misericordioso. Ele pensa em nós, está junto de nós, ama-nos, observa-nos sustenta-nos, dar-nos-á tudo o que nos faz falta , se Lho pedirmos. Todas as Suas riquezas são nossas, teremos tudo o que precisamos”.

Eu estou expressamente presente para que Me peçais o que vos faz falta: “Pedi e recebereis”.

Na minha paternal Bondade dar-vos-ei tudo , desde que todos saibam considerar-Me como um verdadeiro Pai, que vive no meio dos seus, como de fato faço.

Desejo ainda que cada família exponha à vista de todos a Imagem que mais tarde Eu darei a conhecer à minha “filhinha”. Desejo que todas as famílias se coloquem, assim, sob a minha especialíssima proteção, para Me poderem honrar mais facilmente. Junto dela, todos os dias, a família deverá expor as suas necessidades, os seus trabalhos, as suas penas, os seus sofrimentos, os seus desejos, e também as suas alegrias, porque um Pai deve conhecer tudo o que diz respeito aos seus filhos.

Claro que Eu o sei, mas gosto tanto da simplicidade, e sei conformar-Me com a vossa condição. Faço-Me pequeno com os pequenos, maduro com os homens de idade madura, com os velhos torno-Me semelhante a eles, para que todos compreendam o que lhes quero dizer, para sua santificação e para minha glória.

Não tendes a prova do que acabo de vos dizer no meu Filho, que se fez pequeno e fraco como vós? Não a tendes ainda agora vendo-Me aqui a falar-vos? E para que possais compreender o que vos quero dizer, não tomei para vos falar uma pobre criatura como vós? Não Me faço agora semelhante a vós?

Vede: Pus a minha Coroa aos meus Pés, o mundo sobre o meu Coração. Deixei a minha Glória no Céu e vim aqui, fazendo-Me todo para todos, pobre com os pobres e rico com os ricos.

Quero ser conhecido, amado e honrado!

nuvem_coracaoAo dar-vos a vida, quis criar à minha semelhança. O vosso coração é, portanto, sensível como o Meu, e o Meu como o vosso!

Que não faríeis vós se um dos vossos próximos vos prestasse algum pequeno serviço para vos ser agradável? O homem mais frio conservaria sempre para com essa pessoa um reconhecimento inesquecível. Qualquer homem em geral procuraria mesmo o que lhe desse mais prazer para o recompensar pelo serviço prestado. Ora bem, Eu serei muito mais grato para convosco, assegurando-vos a vida eterna, se Me prestardes o pequeno serviço de Me honrar como vo-lo peço.

Reconheço que Me honrais através do meu Filho e há quem saiba fazer subir tudo até Mim por meio d’Ele, mas é um bem pequeno número! Contudo não penseis que ao honrar o meu Filho não Me honrais! Sim, vós Me honrais, pois Eu permaneço no meu Filho! Portanto, tudo o que é glória para Ele, é-o também para Mim!

Mas Eu gostaria de ver o homem honrar o seu Pai e Criador com um Culto Especial. Quanto mais Me honrardes, tanto mais honrareis o meu Filho, porque segundo a minha Vontade, Ele fez-Se Verbo Incarnado e veio até vós para vos dar a conhecer Aquele que O enviou.

Se Me conhecerdes, amar-Me-eis e amareis o meu Filho Bem-Amado, mais do que o fazeis agora. Vede quantas das minhas criaturas, tornadas minhas filhas pelo mistério da Redenção, ainda não estão nas pastagens que Eu estabeleci, por meio de meu Filho, para todos os homens. Vede quantos outros — e vós os conheceis -ignoram ainda estas pastagens; e tantas criaturas saídas das minhas Mãos, de que só Eu conheço a existência, e vós não, que nem sequer conhecem a Mão que as criou!

Ah! Como Eu gostaria de Me dar a conhecer como o Pai Onipotente que sou para vós e que serei também para eles, pelos meus benefícios! Eu gostaria de os fazer viver uma vida mais doce, pela minha Lei. Gostaria que fosseis ter com eles em meu Nome e que lhes falásseis de MIM. Sim, dizei-lhes que têm um Pai que, depois de os ter criado, lhes quer dar os tesouros que possui. Sobretudo dizei-lhes que Eu penso neles, que os amo e que lhes quero dar a felicidade eterna.

Ah! Eu vos prometo: os homens converter-se-ão mais depressa!

Acreditai que se tivésseis começado desde a Igreja Primitiva a honrar-Me e a fazer-Me honrar por um culto especial, decorridos vinte séculos bem poucos homens teriam permanecido na idolatria, no paganismo e em tantas seitas falsas e más, nas quais o homem corre de olhos fechados para se precipitar nos abismos do fogo eterno! E vede quanto trabalho há ainda para fazer!

A minha hora chegou! É preciso que Eu seja conhecido, amado e honrado pelos homens, para que, depois de os ter criado, Eu possa ser o seu Pai, depois o seu Salvador, e por fim o Objeto das suas delícias eternas!

Até agora falei-vos de coisas que já sabíeis; quis recordá-las para que vos convençais realmente de que Eu sou um Pai muito bom e não terrível, como julgais, e também que Eu sou o Pai de todos os homens atualmente vivos e dos que hei-de criar até ao fim do mundo.

Sabei também que Eu quero ser conhecido, amado, e sobretudo, honrado. Que todos reconheçam as minhas infinitas Bondades para com todos e sobretudo para com os pobres pecadores, os doentes, os moribundos e todos os que sofrem. Que eles saibam que Eu só tenho um desejo: amá-los a todos, dar-lhes as minhas graças, perdoar-lhes quando estão arrependidos e sobretudo não os julgar com a minha Justiça, mas sim com a minha Misericórdia, para que todos sejam salvos e colocados no número dos meus eleitos.

Para concluir esta pequena exposição, faço-vos uma promessa cujo efeito será eterno:

Chamai-me pelo nome de Pai,
com confiança e Amor,
e recebereis tudo deste Pai
com amor e misericórdia.

Que o meu filho, o teu pai espiritual, saiba ocupar-se da minha Glória e pôr frase por frase o que te fiz escrever e também o que ainda te farei escrever, para que os homens achem fácil e agradável ler o relato daquilo que Eu quero que eles saibam, sem contudo acrescentar nada.

Todos os dias te falarei um pouco acerca dos meus desejos sobre os homens, das minhas alegrias, das minhas penas e sobretudo mostrarei aos homens as minhas infinitas Bondades e a ternura do meu Amor Compassivo.

Gostaria também que as tuas Superioras te permitissem empregar os teus momentos de liberdade para estares comigo e que pudesses, todos os dias, durante meia hora, consolar-Me e amar-Me e obter assim que os corações dos homens, meus filhos, fiquem bem dispostos para trabalhar para a extensão deste Culto, de que vos venho revelar a forma, para que chegueis a uma grande confiança neste Pai que quer ser amado pelos seus filhos.

Para que esta Obra, que desejo instituir entre os homens, se possa espalhar a todas as nações o mais rapidamente possível, sem que contudo aqueles que estiverem encarregados de a estender cometam a mais pequena imprudência, peço-te que passes os teus dias num grande recolhimento. Serás feliz por falar pouco com as criaturas e, mesmo quando estiveres no meio delas, falar-Me-ás e escutar-Me-ás no segredo do teu coração.

Eis, aliás, o que Eu quero que faças: Quando, por vezes, Eu te falar, escreverás as minhas confidências num caderno especial. Mas aqui, desejo falar aos homens: Vivo com os homens numa maior intimidade que uma mãe com os seus Filhos.

Desde a criação do homem não deixei um só instante de viver junto dele; como Criador e Pai do homem, sinto como que uma necessidade de o amar. Não é que Eu precise dele, mas o meu Amor de Pai e Criador faz-Me sentir esta necessidade de amar o homem. Vivo portanto junto do homem, sigo-o por toda parte, ajudo-o em tudo, supro a tudo. Vejo as suas necessidades, os seus sofrimentos, todos os seus desejos, e a minha maior felicidade é socorrê-lo e salvá-lo.

Eu vos amo com tanta ternura!

Vede: neste relato estamos apenas no primeiro dia do primeiro século e Eu desejo trazê-lo até aos nossos dias: ao século XX.

Oh, como o Meu Amor de Pai foi esquecido pelos homens!

Contudo, Eu vos amo com tanta ternura! No meu Filho, quer dizer, na Pessoa do meu Filho feito Homem, o que não continuei a fazer! A Divindade, nesta Humanidade, ficou velada, pequena, pobre, humilhada. Eu levava, com o meu Filho Jesus, uma vida de sacrifício o de trabalho. Recebia as Suas orações para que o homem tivesse um caminho traçado de modo a caminhar sempre na justiça para vir em segurança até Mim!

Eu sei compreender bem a fraqueza dos meus filhos! Por isso pedi a Meu Filho para lhes dar os meios de sustentar a sua fraqueza. Tais meios ajudá-los-ão a purificar-se dos seus pecados para continuarem a ser os filhos do Meu Amor. Esses meios são, principalmente, os Sete Sacramentos e, sobretudo, o grande meio para vos salvar apesar das vossas quedas: A Cruz, o Sangue do meu Filho que, a cada instante, se derrama sobre vós, desde que o desejeis, quer pelo sacramento da Penitência, quer também pelo Santo Sacrifício da Missa.

Meus queridos filhos, há vinte séculos que Eu vos cumulo destes bens com graças especiais e o resultado é mínimo! Quantas das minhas criaturas, tornadas filhas do meu Amor pelo meu Filho, lançaram-se rapidamente no abismo eterno! Na verdade, eles não conheceram a minha Infinita Bondade. Eu vos amo tanto! (Expressão preferida da Irmã Eugénia e que aparece freqüentemente.)

Ah, ao menos vós, que sabeis que Eu venho em Pessoa para vos falar, vos dar a conhecer o Meu Amor, por piedade por vós próprios, não vos lanceis no precipício. Eu sou vosso Pai!

Seria possível que depois de Me terdes chamado Pai e de Me terdes testemunhado o vosso amor, encontrásseis em Mim um coração tão duro e insensível que vos deixasse perecer? Não! Não! Nem o penseis! Eu sou o melhor dos Pais. Conheço a fraqueza das minhas criaturas. Vinde! Vinde a Mim com confiança e amor! E Eu vos perdoarei com o vosso arrependimento. Ainda que os vossos pecados fossem repugnantes como a lama, a vossa confiança e o vosso amor levar-Me-ão a esquecê-los, de modo que não sereis julgados. É verdade que Eu sou justo, mas o Amor apaga tudo!

Escutai meus filhos, façamos uma suposição e tereis a certeza do meu amor: para Mim, os vossos pecados são como ferro; para Mim, os vossos atos de amor são como ouro. Se Me entregásseis mil quilos de ferro nunca seria tanto como se Me désseis dez quilos de ouro! Isto significa que com um pouco de amor se podem redimir imensas iniquidades.

Eis aqui uma fraquíssima imagem do meu Juízo sobre todos os meus filhos, os homens, sem exceção. Devem, pois, vir ter comigo!

Estou tão perto de vós! Deveis, pois, amar-Me e honrar-Me para não serdes julgados ou para serdes julgados com amor infinitamente misericordioso.

Não duvideis! Se o meu coração não fosse feito assim já teria exterminado o mundo tantas vezes quantos os pecados que ele tem cometido! Mas, como sois testemunhas, a cada instante manifesta-se antes a minha proteção por meio de graças e benefícios. Daí podeis concluir que há um Pai acima de todos os pais, que Ele vos ama e que não deixará de vos amar, desde que o queirais.

eucaristiaVenho ter convosco por meio de dois caminhos: a Cruz e a Eucaristia.

A Cruz é o meu caminho para descer até os meus filhos porque foi por ela que Eu os fiz redimir pelo meu Filho. E, para vós, a Cruz é o vosso caminho para ascender até o meu Filho e, pelo meu Filho, até Mim. Sem ela nunca poderíeis fazer esta caminhada porque o homem, pelo pecado, atraiu sobre si a separação de Deus como castigo.

Pela Eucaristia resido entre vós como um Pai na sua família. Quis que o meu Filho instituísse a Eucaristia para fazer de cada Sacrário o reservatório das minhas graças, das minhas riquezas e do meu amor, para os dar aos meus Filhos, os homens.

É ainda por estes dois caminhos que Eu faço descer o Poder e a minha infinita Misericórdia.

Agora que vos mostrei que o meu Filho Jesus Me representa entre os homens e que por Seu intermédio Eu permaneço sem cessar entre eles, quero mostrar-vos também que Eu venho estar convosco por meio do meu Espírito Santo.

A obra desta Terceira Pessoa da minha Divindade é levada a cabo sem ruído e muitas vezes o homem não se apercebe dela. Mas para Mim é um meio muito apropriado para permanecer, não só no Sacrário, mas também na alma de todos os que estão em estado de graça, para aí estabelecer o meu Trono e permanecer sempre como verdadeiro Pai que ama, protege e ampara o seu filho. Ninguém pode compreender a alegria que sinto quando estou sozinho com uma alma. Ninguém compreendeu até agora os infinitos desejos do meu Coração de Deus Pai, de ser conhecido, amado e honrado por todos os homens justos e pecadores. E são estas três homenagens que EU desejo receber em desagravo dos maiores pecadores,

O que Eu não fiz ao meu povo desde Adão até José, pai adotivo de Jesus, e desde José até este dia, para que o homem Me possa prestar o culto especial que Me é devido como Pai, Criador e Salvador! No entanto, este Culto Especial que Eu tanto desejei e que continuo a desejar, ainda não Me foi dado!

No livro do Êxodo ledes que é preciso honrar a Deus com um culto especial. Os Salmos de David, sobretudo, encerram o mesmo ensinamento. Nos Mandamentos que dei a Moisés coloquei em primeiro lugar: “Um só Deus adorarás e amarás perfeitamente”.

Ora, amar e honrar alguém são duas coisas que andam juntas. Posto que vos cumulei de tantos benefícios devo, pois, ser particularmente honrado por vós!

Quem é o Messias?

Eu quis ficar sempre neste mundo, entre os homens. Durante o Dilúvio, Eu estava junto de Noé, o único Justo então. Nas outras calamidades, Eu encontrava sempre um Justo junto de quem permanecer e por seu intermédio Eu ficava entre os homens desse tempo. E foi sempre assim.

O mundo foi muitas vezes purificado da sua corrupção pela minha infinita Bondade para com a humanidade. Então, Eu continuava a escolher almas nas quais Me comprazia, para que, por elas, Eu Me pudesse comprazer nas minhas criaturas , os homens.

Eu tinha prometido ao Mundo o Messias. O que Eu fiz para preparar a sua Vinda, mostrando-Me nas figuras que O representavam, mesmo mil e dois mil anos antes da Sua Vinda! Porquê, este Messias? Quem é Ele? Donde vem? Que fará Ele na Terra? Quem é que vem representar?

O Messias é Deus

– Quem é Deus? Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

– Donde vem Ele, ou melhor, quem Lhe deu ordem para vir ter com os homens? Fui Eu, Seu Pai, Deus.

– Quem representará Ele na Terra? O Seu Pai.- Deus.

– Que fará Ele na Terra? Fará conhecer e amar o Pai: Deus.

Não disse Ele:

“Não sabeis que Eu devo cuidar das coisas de meu Pai? Nesciebatis quia in his, quae Patris mei sunt oportet me esse” (em São Lucas cap. 2, vers. 49).

– Vim para fazer a vontade de meu Pai.

– Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu Nome Ele vo-lo concederá (Jo 15,16).
Rezai-lhe assim: “Pai Nosso, que estais nos Céus…”, e como veio para glorificar o Pai e dá-Lo a conhecer aos homens, disse:

– Quem Me vê, vê o Pai (Jo., 14,9)

– Eu estou no Pai e o Pai está em Mim (Jo, 14,10).

– Ninguém vem ao Pai senão por Mim — ” Nemo venit ad Patrem nisi per me”: em São João, cap. 14,vers. 6.

– Quem está coMigo, está também com meu Pai , etc., etc.

Concluí, ó homens, que desde toda a Eternidade Eu só tive um desejo: o de Me dar a conhecer aos homens e de Me fazer amar, desejando permanecer permanentemente junto deles.

Quereis uma prova real deste desejo que acabo de exprimir?

Porque ordenei a Moisés a construção do Tabernáculo e a Arca da Aliança a não ser por causa do meu ardente desejo de vir habitar como um Pai, um Irmão, um Amigo confiante, com as minhas criaturas, os homens? Apesar disso eles esqueceram-Me, ofenderam-Me com inumeráveis pecados. E para que eles se lembrassem, apesar de tudo, do seu Pai, Deus, e do único desejo que Ele tem de os salvar, dei os meus Mandamentos a Moisés, para que, observando-os, eles pudessem lembrar-se do Pai infinitamente bom, sempre ocupado com a sua salvação atual e eterna.

dez-mandamentosTudo isso caiu de novo no esquecimento e os homens perderam-se no erro e no temor, achando difícil observar as Leis que Eu lhes tinha dado através de Moisés. Forjaram outras leis de acordo com os seus vícios para as cumprir com maior facilidade. A pouco e pouco, no temor exagerado que tinham de Mim, voltaram a esquecer-Me e a encher-Me de ultrajes.

No entanto, o meu amor por estes homens, filhos Meus, não se extinguiu. Quando verifiquei que nem os Patriarcas, nem os Profetas, conseguiam fazer-Me amar e conhecer pelos homens, resolvi ir Eu próprio.

Mas como fazer para andar no meio dos homens? Não havia outro meio senão ir Eu próprio, na Segunda Pessoa da minha Divindade.

E os homens conhecer-Me-iam, escutar-Me-iam?

Para Mim, nada estava escondido no futuro e conhecia a resposta a estas duas perguntas. Eu respondia a Mim mesmo.

Eles ignorarão a minha presença, apesar de estarem ao pé de Mim. No Meu Filho, hão-de maltratar-Me, apesar de todo o bem que Ele lhes fizer. No Meu Filho hão-de caluniar-Me e crucificar-Me para Me dar a morte.

Havia de parar por causa disso? Não! O meu Amor é excessivamente grande pelos meus Filhos, os homens!

Não parei, mas reconhecei que vos amei, por assim dizer, mais que ao meu Filho Bem-Amado, ou melhor, mais que a Mim mesmo.

O que vos acabo de revelar é de tal modo verdadeiro que se tivesse bastado uma das minhas criaturas para expiar o pecado dos outros homens, com uma vida e uma morte como a do meu Filho, Eu teria hesitado. Porquê? Porque Eu atraiçoaria o meu Amor fazendo sofrer outra criatura que amo em vez de sofrer Eu próprio, no meu Filho. Eu jamais teria querido fazer assim sofrer os meus filhos.

Eis, pois, em resumo o relato do meu Amor até a minha vinda, por meio do meu Filho, para o meio dos homens.

Todos estes acontecimentos são conhecidos pela maior parte dos homens, mas eles ignoram o essencial, ou seja, que foi o Amor que tudo conduziu!

Sim, é Amor. É isso que quero esclarecer neste relato que acabais de ler.

Este Amor é esquecido. Quero recordá-lo para que aprendais a conhecer-Me tal como sou. Para que não tenhais medo, como escravos, de um Pai que vos ama a este ponto.

O objetivo da revelação de Deus Pai

1º de Julho de 1932 – Festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

Eis, enfim, o dia para sempre Bendito da promessa do Pai Celeste!

Hoje terminam os longos dias de preparação e sinto-me perto, muito perto, da vinda do meu Pai e do Pai de todos os homens. Alguns minutos de oração e depois que alegrias espirituais! Fui tomada de uma sede de O ver e de O ouvir.

O meu coração, todo ardente de amor, abria-se com uma confiança tão grande que eu mesma verificava que nunca tinha sido até agora tão confiante com ninguém.

O pensamento do meu Pai lançava-me numa alegria louca.

Por fim começam a ouvir-se cânticos! Vêm Anjos anunciar-me esta feliz chegada! Os seus cânticos eram tão belos que resolvi escrevê-los, logo que pudesse. Essa harmonia parou um instante e eis o cortejo dos eleitos, dos Querubins e dos Serafins, com Deus, nosso Criador e nosso Pai!

Prostrada, de face por terra, abismada no meu nada, recitei o Magnificat. Logo a seguir o Pai disse-me para me sentar e escrever o que Ele decidiu dizer aos homens.

Toda a Corte que O tinha acompanhado desapareceu. O Pai ficou sozinho comigo e antes de se sentar, disse-me:

“Já te disse e volto a dizer: não posso dar outra vez o meu Filho Bem-Amado para provar o Meu Amor pelos homens. Ora, é para os amar e para que eles conheçam este Amor que Eu venho ao seu encontro, assumindo a sua semelhança e a sua pobreza.

Vê, deponho a minha Coroa e toda a minha Glória para tomar a atitude de um homem normal!”

Reprodução da imagem original de Deus Pai, feita por indicação de Madre Eugênia
Reprodução da imagem original de Deus Pai, feita por indicação de Madre Eugênia

Depois de ter assumido a atitude de um homem comum, depondo a Sua coroa e a Sua glória a Seus pés, pegou no globo do mundo, aconchegado ao Seu coração, segurando-o com a mão esquerda, e sentou-se ao pé de mim.

Quase não sou capaz de dizer uma palavra sobre a Sua chegada e a atitude que se dignou tomar, assim como sobre o Seu Amor!

Na minha ignorância não encontro palavras para exprimir o que Ele me fez compreender.

“Paz e salvação a esta casa – diz – e ao mundo inteiro! Que o meu Poder, o meu Amor e o meu Espírito Santo toquem os corações dos homens, para que toda a humanidade se volte para a salvação e venha ao seu Pai, que a procura para a amar e salvar! Que o meu Vigário Pio XI compreenda que estes são dias de salvação e de bênção. Que não perca a oportunidade de chamar a atenção dos filhos para o seu Pai, que vem ter com eles para lhes fazer bem nesta vida e preparar a sua salvação eterna.

Escolho este dia para começar a minha Obra entre os homens porque é a Festa do Preciosíssimo Sangue do meu Filho Jesus. Tenho a intenção de amassar neste Sangue a Obra que venho começar, para que dê grandes frutos em toda a humanidade.

Eis o Verdadeiro Objetivo da minha Vinda:

1. Eu venho para banir o temor excessivo que as minhas criaturas têm de Mim e para lhes fazer compreender que a minha alegria está em ser conhecido e amado pelos Meus filhos, ou seja, por toda a humanidade presente e futura.

2. Eu venho trazer a esperança aos homens e às nações. Quantos a perderam há tanto tempo! Esta esperança fa-los-á viver em paz e segurança, trabalhando para a sua salvação.

3. Eu venho para Me dar a conhecer tal como sou. Para que a confiança dos homens cresça, ao mesmo tempo que o seu amor por Mim, seu Pai, que só tenho uma única preocupação: a de velar por todos os homens e amá-los como meus Filhos.

O pintor delicia-se na contemplação do quadro que pintou tal como Eu me deleito na obra-prima da minha criação, pondo a minha alegria na convivência com os homens.

O tempo urge e Eu gostaria que o homem soubesse, o mais depressa possível, que Eu o amo e que sinto a maior felicidade em estar e conversar com ele, como um Pai com os seus filhos.

Eu sou o Eterno e quando vivia sozinho, já tinha resolvido aplicar a minha Onipotência para criar seres à minha Imagem. Todavia era necessária a criação material, para que esses seres pudessem encontrar a sua subsistência, então foi a criação do mundo! Eu enchi-o do que Eu sabia que devia ser necessário aos homens: o ar, o sol, a chuva, e tantas outras coisas que Eu sabia que eram necessárias para a sua vida.

Enfim, o homem foi criado! Eu comprazia-Me na minha obra. O homem praticou o pecado, mas foi então que a minha Bondade infinita se mostrou.

Para viver entre os homens que Eu criava, escolhi Profetas, como se vê no Antigo Testamento, a quem comuniquei os meus desejos, as minhas penas e as minhas alegrias para que eles as comunicassem a todos.

Quanto mais aumentava o mal, tanto mais a minha Bondade Me impelia a comunicar-Me a almas justas para que elas transmitissem as minhas ordens àqueles que causavam a desordem. Por isso tive às vezes de usar de severidade para os repreender, não para os castigar — o que só teria feito mal — mas para os desviar do vício e para os fazer retornar ao seu Pai e seu Criador, de quem se tinham esquecido, na sua ingratidão.

Mais tarde, o mal submergiu de tal modo o coração dos homens que fui obrigado a enviar castigos sobre o mundo para que o homem fosse purificado pelo sofrimento, pela destruição dos seus bens, ou mesmo a perda da sua vida – foi o Dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, as guerras entre os homens, e assim por diante.

Testemunho de Mons. Caillot, bispo de Grenoble

vaticano1TESTEMUNHO DE SUA EXCELÊNCIA
REVERENDÍSSIMA MONS. CAILLOT, BISPO DE
GRENOBLE, EM SEGUIMENTO DO RELATÓRIO
FEITO DURANTE O INQUÉRITO CANÔNICO SOBRE
A MADRE EUGÉNIA

Dez anos se passaram desde que, como Bispo de Grenoble, decidi a abertura de um inquérito sobre o caso da Madre Eugénia.

Possuo agora elementos suficientes para trazer à Igreja o meu testemunho de Bispo. Uma primeira certeza se destaca claramente do inquérito:

1. As sólidas virtudes da Madre Eugénia

Desde o princípio da sua vida religiosa, a Irmã tinha atraído a atenção das suas Superioras pela sua piedade, a sua obediência, a sua humildade.

As suas Superioras, desconcertadas pelo caráter extraordinário dos fatos que se tinham produzido durante o Noviciado da Irmã, estavam decididas a não a deixar ficar no Convento. Hesitavam e acabaram por ter que renunciar ao seu projeto, perante a vida exemplar da Irmã.

Durante todo o tempo que durou o inquérito, a Irmã Eugénia deu provas de uma grande paciência e de uma perfeita docilidade, submetendo-se a todos os exames médicos sem se queixar, ou respondendo aos interrogatórios, muitas vezes longos e desagradáveis, das comissões teológicas e médicas, aceitando as suas contradições e as provações.

Todos os inquiridores louvaram, sobretudo a sua simplicidade.

Várias circunstâncias permitiram descobrir, também, que a Irmã era capaz de praticar a virtude num grau heróico, segundo o testemunho dos teólogos, nomeadamente a virtude da obediência no inquérito do Revº Padre Augusto Valensin, em Junho de 1934, e a da humildade no doloroso dia 20 de Dezembro de 1934.

Nas suas funções de Superiora-Geral, posso atestar que a encontrei muito aplicada ao seu dever de estado, entregando-se à sua tarefa, que no entanto lhe devia parecer muito mais difícil quanto ela não estava preparada para ela, com grande amor às almas, à sua Congregação e à Igreja. Todos aqueles que convivem com ela de mais perto ficam emocionados, tal como eu, com a sua força de alma no meio das dificuldades.

Não são só as virtudes que me impressionam, são também as qualidades que a Madre revela no exercício duma autoridade que uma Religiosa pouco instruída vem a obter, chegando a ocupar a mais alta função da sua Congregação! Há nisto já alguma coisa de extraordinário e, sob este ponto de vista, o inquérito feito pelo meu Vigário-Geral, Mons. Guerry – no dia da eleição – é bastante sugestivo. As respostas das capitulares, todas, Superioras e delegadas das diversas Casas, mostram que elas escolhiam a Madre Eugénia como Superiora-Geral, apesar da sua idade e dos obstáculos canônicos que deviam, normalmente, afastar a idéia da sua nomeação, por causa das suas qualidades de juízo, de equilíbrio, de energia e de firmeza. A realidade parece bem ter ultrapassado toda a esperança que as eleitoras puseram naquela que escolhiam.

O que mais notei nela foi, em primeiro lugar, a sua inteligência clara, viva, penetrante. Disse que a sua instrução tinha sido deficiente, aliás, por razões exteriores, independentes da sua vontade: a prolongada doença da sua mãe tinha-a obrigado, desde muito nova, a ocupar-se das coisas da casa e a faltar muitas vezes à escola. Depois foram, até à sua entrada no Convento, os duros anos de vida na fábrica, como operária tecelã. Apesar destas lacunas, cujas conseqüências se fazem sentir, evidentemente, na sua escrita e na sua ortografia, a Madre Eugénia faz à sua Comunidade numerosas Conferências. Ela própria redigiu as suas cartas circulares à sua Congregação, para os hospitais confiados às Irmãs de Nossa Senhora dos Apóstolos. Compôs um extenso epistolário.

Ela vê, claro e justo em qualquer situação, como num caso de consciência. A sua direção é clara, precisa e particularmente prática. Conhece perfeitamente cada uma das suas mil e quatrocentas filhas, com as suas aptidões e virtudes, e, assim, é capaz de escolher, para as nomeações dos diferentes postos, as que estão mais qualificadas. Tem também uma consciência exata, pessoal, das necessidades, dos recursos da sua Congregação, da situação de cada Casa. Visitou todas as suas missões.

Queremos também assinalar o seu espírito de previdência. (Tomou todas as disposições necessárias para que, no futuro, cada estabelecimento hospitalar ou escolar tivesse o número de Irmãs diplomadas de que viria a ter necessidade para viver e desenvolver-se). Parece-me especialmente interessante assinalar que:

A Madre Eugénia parece dotada de um espírito de decisão, do sentido do real e duma vontade realizadora. Em seis anos, fez sessenta fundações e soube introduzir grandes melhoramentos na Congregação.

Se assinalo as suas qualidades de inteligência, de juízo, de vontade, as suas aptidões para o governo, é porque elas me parecem afastar definitivamente todas essas hipóteses que foi preciso encarar num dado momento do inquérito, mas que se revelaram impotentes para dar uma explicação suficiente: hipótese de alucinação, de mediunidade, de histeria, de delírio.

A vida da Madre é uma constante demonstração do seu equilíbrio mental e geral, e, aos olhos dos observadores, este equilíbrio parece ser mesmo a nota dominante da sua personalidade. As outras hipóteses de sugestão, de manipulação, que tinham levado os inquiridores a interrogar-se se não estariam em presença duma natureza muito impressionável, verdadeiro espelho multifacetado que recebia todas as influências e sugestões, foram igualmente refutadas pela realidade quotidiana. A Madre Eugénia, ainda que dotada de uma natureza sensível e de um temperamento emotivo, provou que não fazia distinção de pessoas e que, muito longe de se deixar influenciar pelas considerações humanas, sabia bem definir os seus projetos, a sua atividade, as suas realizações e impor-se aos outros pela sua irradiação pessoal. Um simples fato, dirá mais que todas as apreciações: no dia seguinte ao da sua eleição para Superiora-Geral, teve que proceder à designação de Superioras. Ora, ela não hesitou em substituir uma das que tinham acabado de votar nela: ao desembarcar no Egito, esta Superiora local soube da sua mudança, notificada por avião.

2. Sobre o objeto da Missão

O objeto da Missão que teria sido confiado à Madre Eugénia é preciso e, do ponto de vista doutrinal, parece-me legítimo e oportuno.

Objeto preciso: Fazer conhecer e honrar o Pai, nomeadamente pela instituição duma Festa especial, pedida à Igreja. O inquérito estabeleceu que uma Festa litúrgica em honra do Pai estaria bem na linha de todo o culto católico, conforme ao movimento tradicional da oração católica, que é uma ascensão para o Pai, pelo Filho, no Espírito, como provam as orações da Missa e a oblação litúrgica ao Pai, no Santo Sacrifício. Por outro lado, porém, é um fato que não existe nenhuma Festa especial em honra do Pai: a Trindade é honrada como tal, o Verbo e o Espírito Santo são honrados na Sua Missão e nas Suas manifestações exteriores, e só o Pai não tem uma Festa própria, que atrairia a atenção do povo cristão para a Sua Pessoa.

Dever-se-á atribuir a esta ausência de uma Festa litúrgica em Sua honra este fato que um inquérito muito alargado, feito a numerosos fiéis revelou, nas diversas classes da sociedade e mesmo em muitos sacerdotes e Religiosos: “o Pai não é conhecido, não se Lhe reza não se pensa n’Ele”. O inquérito descobre mesmo, com espanto, que um grande número de cristãos se afastam do Pai, porque vêem n’Ele um Juiz terrível. Preferem dirigir-se à Humanidade de Cristo — e quantos pedem a Jesus que os proteja da cólera do Pai!

Uma Festa especial teria, pois, como primeiro efeito, restabelecer a ordem na piedade de muitos cristãos e de os reconduzir à diretiva do Divino Salvador: ” Tudo o que pedirdes ao Pai em Meu Nome …” e, depois: Doravante, rezareis assim: Pai Nosso …”

Uma Festa litúrgica em honra do Pai teria igualmente por efeito o de fazer erguer os olhos para Aquele que o Apóstolo S. Tiago chama: O Pai da Luz, de quem nos vêm todos os dons …” Ela habituaria as almas a considerar a Bondade Divina, os benefícios de Deus, a Sua Providência Paternal e, certamente, esta Providência é bem a de Deus-Trindade e é pela Sua natureza divina, comum às Três Pessoas, que Deus espalha sobre o mundo inteiro os tesouros inextinguíveis da Sua Misericórdia Infinita.

Pareceria, pois, à primeira vista, que não havia nenhuma razão especial para honrar o Pai em particular, contudo, não foi o Pai que enviou o Seu Filho ao mundo? E se é soberanamente justo prestar um culto ao Filho e ao Espírito, pelas Suas manifestações exteriores, não seria também justo e equitativo dar graças a Deus Pai, como pedem os prefácios da Missa, pelo Dom que Ele nos fez do Seu Filho?

O objeto próprio desta Festa especial surge, assim, claramente: Honrar o Pai, agradecer-Lhe, louvá-Lo, por nos ter dado o Seu Filho; numa palavra, como diz precisamente a Mensagem: como Autor da Redenção. Dar graças Àquele que tanto amou o mundo, que lhe deu o Seu Filho Único, para que todos os homens, reunidos no Corpo Místico de Cristo, recapitulem esse Filho, e se tornem felizes n’Ele.

Numa hora em que o mundo, transviado pelas doutrinas do laicismo, do ateísmo e das modernas filosofias, já não conhece Deus, o verdadeiro Deus, esta Festa não faria com que muitos reconhecessem o Pai vivo que Jesus nos revelou, o Pai de misericórdia e de bondade?

Não contribuiria ela para aumentar o número desses adoradores do Pai, “em espírito e verdade” que Jesus anunciou?

Numa hora em que o mundo despedaçado por guerras assassinas vai sentir a necessidade de procurar um princípio sólido de união, para uma aproximação entre os povos, não traria esta Festa uma grande luz, ensinando aos homens que eles têm todos, no Céu, o mesmo Pai: Aquele que Jesus lhes deu a conhecer e para Quem os leva, como membros do Seu Corpo Místico, na unidade do mesmo Espírito de Amor ! Numa hora em que tantas almas esgotadas ou cansadas pelas provações da guerra poderiam sentir-se ávidas de se virarem para uma vida interior profunda, não poderá esta Festa chamá-las “para dentro de si mesmas”, para adorar o Pai que aí está no segredo, e para se entregarem, numa oblação filial e generosa ao Pai, única fonte da Vida da Santíssima Trindade nelas? Uma tal Festa não conservaria o belo movimento de vida sobrenatural que levaria logicamente as almas à infância espiritual e à vida filial em relação ao Pai, através da confiança, do abandono à Vontade Divina, do espírito de Fé?

Além disso, diferente desta questão duma Festa especial e seja qual for a decisão da Igreja sobre este ponto, põe-se um problema de doutrina. Há eminentes teólogos que pensam que a doutrina das relações da alma com a Santíssima Trindade deve ser aprofundada e que ela poderia ser para as almas uma fonte de luz sobre a vida em sociedade com o Pai e o Filho, de que fala S. João, sobre a participação na vida de Jesus, Filho do Pai, através de uma comum disposição de Cristo, íntima do Seu Sagrado Coração, especialmente o Seu Amor filial ao Pai.

Sejam como forem estes problemas teológicos, o que eu quero assinalar aqui é este fato: que uma pobre ignorante em Teologia declara ter comunicações divinas, que podem ser bem ricas de doutrina.

As construções imaginárias duma visionária são pobres, estéreis, incoerentes. Pelo contrário, a Mensagem que a Madre Eugénia diz ter-lhe sido confiada pelo Pai, é fecunda, com uma mistura harmoniosa das duas características que a tornam mais segura: por um lado, apresenta-se como tradicional na Igreja, sem aspecto de novidade, que a poderia fazer taxar de suspeita, porque ela repete sem cessar que tudo já foi dito com a Revelação de Cristo sobre o Seu Pai e que tudo está no Evangelho. Mas, por outro lado, declara esta grande Verdade sobre o conhecimento do Pai, pede que ela seja repensada, aprofundada, vivida.

A desproporção entre a fraqueza do instrumento, incapaz por si mesmo de descobrir uma doutrina desta natureza, e a profundidade da Mensagem que a Irmã traz, não deixa entrever que outra causa superior, sobrenatural, divina, interveio, para lhe confiar a Mensagem?

Humanamente, não vejo como é que se poderia explicar a descoberta, pela Irmã, de uma idéia de que os inquiridores só a pouco e pouco entreviram a originalidade e a profundidade.MotherEugenia_BabyJesus

Outro fato parece-me também bastante sugestivo: Quando a Irmã Eugénia anunciou que tinha tido aparições do Pai, os inquiridores teólogos replicaram-lhe que as aparições do Pai eram, em si mesmas, impossíveis, que elas nunca se tinham produzido na História — e a estas objeções a Irmã resistiu, declarando simplesmente: ” O Pai disse-me para descrever o que eu via. Ele pede que os Seus filhos teólogos estudem “, A irmã nunca variou nas suas explicações, manteve as suas afirmações durante longos meses. Ora, foi só em Janeiro de 1934 que os teólogos descobriram, em São Tomás de Aquino, a resposta à objeção que faziam.

A resposta do grande Doutor sobre a distinção entre aparição e a missão foi luminosa. Ela levantou o obstáculo que paralisava todo o inquérito. Contra sábios teólogos a pequena ignorante tinha tido razão. Como explicar, ainda aqui, humanamente, a luz, a sabedoria, a perseverança da Irmã? Uma falsa visionária teria procurado adaptar-se às explicações dos teólogos. A Irmã manteve-se firme; eis outra razão pela qual o seu testemunho nos parece digno de ser apoiado com confiança.

Em todo o caso, o que me parece digno de ser assinalado é esta atitude de reserva tomada e indicada a respeito do maravilhoso, enquanto as falsas místicas fazem passar para primeiro plano, ou até mesmo não vêem senão as coisas extraordinárias. Estas são, no caso da Irmã, relegadas para segundo plano, a título de provas e de meios. Não existe exaltação, há um equilíbrio dos valores, que causa boa impressão.

Do inquérito dos inquiridores, direi poucas coisas. Os Reverendos Padres Alberto e Augusto Valensin são estimados pela sua autoridade filosófica e teológica, e também pelos seus conhecimentos da vida espiritual. Eles já tinham tido que intervir noutras circunstâncias para fatos do gênero daqueles que lhes eram submetidos, desta vez, ao seu exame.

Sabemos que o fizeram com muita prudência. Foram essas razões que os designaram para a nossa escolha.

Estamos-lhes reconhecidos por uma colaboração que foi devotada e verdadeiramente conscienciosa. O seu testemunho em favor da Irmã e em favor de uma explicação sobrenatural dos fatos no seu conjunto tem tanto mais valor quanto eles permaneceram, durante muito tempo bastante hostis e céticos, e depois hesitantes. Foram conquistados a pouco e pouco depois de terem levantado toda a espécie de objeções e de terem imposto rudes provas à Irmã.

Conclusão

Em alma e consciência, com o vivo sentimento da minha responsabilidade perante a Igreja, declaro:

Que a intervenção sobrenatural e divina é a única que me parece capaz de dar ao conjunto dos fatos uma explicação lógica, e satisfatória.

Destacado de tudo o que o rodeia, este fato essencial parece-me cheio de nobreza, de elevação, de fecundidade sobrenatural.

Uma humilde Religiosa lembrou aos homens o verdadeiro culto do Pai, tal como Jesus o ensinou e tal como a Igreja o fixou na Liturgia.

Não há aqui nada de perturbador, é tudo muito puro e conforme a uma sólida doutrina.

Os fatos maravilhosos que acompanham esta Mensagem poderiam ser separados deste acontecimento central e, mesmo assim, este conservaria todo o seu valor. A Igreja dirá se a idéia da Festa especial pode ser mantida separadamente do fato particular da Irmã, e por razões doutrinais.

Considero que a grande prova da autenticidade da Missão da Irmã nos é fornecida pela maneira como ela aplica à sua vida real a bela doutrina que teria vindo recordar.

Considero que convém deixá-la continuar a sua Obra. Creio que nela está o dedo de Deus e, depois de dez anos de inquérito, de reflexão e de orações. bendigo o Pai por se ter dignado escolher a minha diocese como local de manifestações tão comoventes do Seu Amor.

+ Alexandre Caillot
(Bispo de Grenoble)

O Carisma da Madre Eugênia

O seu carisma é a UNIDADE, tão desejada por Jesus (Jo, 1): Uma só família, tendo à cabeça Deus Pai. O PAI bom, amável, o PAI que está sempre conosco, o PAI que nos ama continuamente com ternura, o PAI que de tal modo nos amou que nos deu o Seu Filho Único.

Para a preparar para a sua missão, Deus encheu-a de dons e de graças extraordinárias, e levou-a a uma grande virtude, por meio de grandes sofrimentos, no meio dos quais o seu amor a Deus tornou-se cada vez mais forte. Agora que está preparada, Jesus diz-lhe:
“Ao longo dos séculos, Deus já concedeu muitos dons, mas eis agora o DOM dos dons” e, com um gesto da mão, fez-lhe ver a chegada de Deus Pai … o PAI que se dá à humanidade.

A Madre Eugénia tem a missão, confiada pelo próprio PAI, de dar a conhecer a toda a gente, a todos os Seus Filhos, a “Mensagem do Seu Amor”: Que o PAI da humanidade, que Jesus revelou, está sempre conosco, que Ele nos ama ternamente, que protege a nossa vida depois de no-la ter dado, que não se deve ter medo mas sim confiança n’Ele, porque Ele constituiu como Juiz o Seu Filho Jesus, mas Ele é o Pai. Assim, pois, a missão da Madre Eugénia é a de fazer tomar consciência desta maravilhosa realidade: Deus é nosso PAI, Ele nos ama, Ele está sempre conosco e quer levar-nos para a Glória da Sua Casa.UICAP_Emblem

Ela fundou a Obra do Pai para a Unidade: “UNITAS IN CHRISTO AD PATREM”, que continua o seu carisma e onde muitas pessoas sentem a Presença Viva do PAI.

O próprio Pai disse à Madre Eugénia que todas as vezes que as pessoas lessem a Sua Mensagem, Ele estaria presente com o Seu Amor e a Sua Presença Viva, para Se comunicar à alma.

Deus Pai concede muitas graças por intercessão da Madre Eugénia, rezando-se a oração “Deus é meu Pai”, que o próprio Pai lhe transmitiu.

Em missão

A sua aparência é frágil, mas teve a coragem de obter para as suas Irmãs uma posição digna no trabalho e não uma função inferior, como acontecia com todas as mulheres do tempo. Para a Madre Eugénia todos os seres humanos são iguais perante Deus, todos filhos do mesmo Pai, nem a cor, nem a raça ou a classe ou o sexo podem tornar uma pessoa superior a outra. É forte e heróica, segundo o Evangelho, no cumprimento total do seu dever.

Mãe dos leprosos

O único guia de todo o seu fervor é o Amor a Deus, pode-se encontrar este impulso em todas as suas obras, sem qualquer medida que possa avaliar as suas possibilidades e as reações à sua volta.

Madre Eugênia com os leprosos
Madre Eugênia com os leprosos

Em 1939, em África, encontra os leprosos relegados para a ilha Désirée, na Costa do Marfim. As pessoas da aldeia, aterrorizadas com este mal, transportam-nos para a ilha donde não poderão escapar, abandonados aí à doença, à solidão e ao desespero. A Madre Eugénia vai ter com eles e pergunta-lhes:

Que gostaríeis de ter? Falai à vontade, amo-vos e gostaria de vos ajudar. Farei tudo o que puder para vos ajudar, não desespereis. Prometo-vos que voltarei o mais depressa possível.

E toca-lhes, sem temer o contágio, para lhes provar o seu amor.

Raoul Follereau conta este episódio na sua Autobiografia “A única Verdade é Amar”. Ele diz: 

“A ilha Désirée, com a sua luxuriante vegetação, feita para a felicidade, para o repouso e para a paz, este paraíso terrestre é, contudo, um lugar de inferno porque é habitada por seres marcados pelos mais horríveis sofrimentos… ”
“Foi perto dela que um dia pousou o hidroavião da Madre Eugénia e então estes ‘malditos’ viram também descer do céu a Missionária da Caridade. Ela sorri, estende as mãos, fala-lhes, escuta pacientemente a sua pobre história, cada um mostra-lhe as suas feridas e explica-lhe a sua miséria”.

Contra todas as dificuldades, a Madre Eugénia descobre como conciliar os regulamentos sanitários com a impressão de liberdade: construir-se-á a cidade dos leprosos em plena floresta virgem e assim eles poderão andar à vontade na cidade, terão verdadeiramente a impressão de estar livres, uma cidade onde não mais serão tratados como animais, mas sim como homens, com todo o respeito e a dignidade que merecem. Tudo isto, hoje, parece muito simples, mas em 1939 era um projeto revolucionário e as pessoas diziam: “É um sonho. uma utopia, uma quimera; esta mulher é generosa, claro, mas não sabe o que faz, a sua caridade fá-la ultrapassar os limites do possível… “

Madre Eugênia lança Follereau a favor dos leprosos

A Madre Eugénia confia as suas preocupações, com uma voz vibrante e indignada a Raoul Follereau, que nesse momento estava escondido no seu Convento por causa da perseguição alemã. Diz-lhe:

“Na Europa, fazem guerra! Milhões de francos para bombas e canhões! E ali os seres mais pobres do mundo morrem de fome e de negra miséria. Rapazes de doze anos sem mãos, desfigurados, que dormem nas lixeiras. Mulheres novas, enlouquecidas pela fome. E nós brincamos às guerras! Quero construir uma cidade na floresta africana onde os leprosos não sejam tratados como animais. mas sim como homens, com todo o respeito e dignidade que merecem… “

 Raoul Follereau
Raoul Follereau

Follereau sentia na voz da jovem Irmã uma vontade enorme e decidida a tudo fazer e diz-lhe: “Minha Madre. continue o seu trabalho, que eu vou ocupar-me do dinheiro”. A partir desse momento deixou corajosamente o Convento sem se preocupar com a perseguição.

Passados 10 anos, em 1950, a cidade está pronta, com a boa vontade de muitas pessoas e a confiança que a Madre Eugénia transmitiu e manteve, realizando-se assim o sonho impossível — e de tal modo se desenvolveu que se transformou no Instituto Nacional da Lepra da Costa do Marfim.

A França atribuiu-lhe a Coroa Cívica, distinção concedida a Obras de reconhecido caráter social. Com a confiança que a Madre Eugénia tinha em Deus e o desejo de ajudar estes doentes, descobriu um novo medicamento, que o Instituto Pasteur de Paris aperfeiçoou, dando deste modo um novo impulso à Ciência.

Quem é Madre Eugênia?

Nascida em 1907 em San Gervasio d’Adda, Itália, conheceu muito cedo o sofrimento e sobreviveu, depois de um milagre obtido pelo seu avô junto da Santíssima Virgem, que ela própria vê. O seu avô dá muita importância à oração na família e vai-lhe dando preciosos ensinamentos, que ajudam a criança a crescer religiosamente. Um dia, mostrando-lhe o rio Adda, disse-lhe:

– “Olha para a água, ela corre e afasta-se , se parasse seria um pântano de água estagnada. Assim sucede com os teus sofrimentos, as tuas lágrimas e as tuas lutas: elas passam, não as pares. Tudo passa, oferece a Deus e aceita cada dia a Sua Vontade. Não olhes para a pessoa que te causa o sofrimento. recebe-o das Suas mãos, nada é por acaso; Deus segue as Suas criaturas passo a passo. Ele nos ama mesmo se nós não compreendemos todos os porquês. Coragem, segue sempre em frente e espera que o sofrimento passe”.

Elisabetta aproveita bem estes ensinamentos dados pelo seu querido avô. Ela repetia estas palavras emblemáticas: “Espero que isso passe e, entrementes, canto”. Nós, as Irmãs da Madre Eugénia, dizíamos: “A Madre Eugenia está cantando, alguma coisa vai mal”.

Depois de oito anos de trabalho numa fábrica, decidiu fazer-se missionária: “Eis-me aqui, ó Pai, eu venho fazer a Tua Vontade!”.

Madre Eugênia
Madre Eugênia

No Convento, novas dificuldades. Ela pensa que não se pode pretender que todas sejam santas no Convento, pois a santidade obtém-se lutando e conquistando novas vitórias, a pouco e pouco. Compreendeu que não se deve julgar, que se deve permanecer unido a Deus e observar os regulamentos sem andar a ver se as outras os observam; cada uma responde por si mesma diante de Deus com as suas próprias responsabilidades. Está convencida de que deve ser caridosa para as outras e ajudá-las nas suas necessidades. Deus dar-lhe-á forças para isso: “Coragem, pois, e em frente!”

Imprevisivelmente, é nomeada, ainda muito nova, mestra das noviças e, em 1935, é eleita Geral por 12 anos. A sua maneira de atuar é a de uma pessoa que tem uma confiança ilimitada em Deus e que não mede as suas forças e as suas capacidades.

A sua instrução não passa da terceira classe e agora que tem de lidar com várias línguas e muitos problemas, a sua confiança em Deus é ainda mais forte e Deus ajuda-a. Quando é preciso, fala todas as línguas, incluindo o latim com os sacerdotes. Escreveu também vários livros de instrução religiosa.

Prefácio do livro «A Vida para a Glória do Pai»

00119Com esta breve brochura apresentamo-vos o móbil que anima a vida da Madre Eugênia Elisabetta Ravasio: a unidade dos filhos de Deus em Cristo, para Glória do Pai.

A nossa intenção é suscitar o desejo de permanecer na Verdade, a única que nos tornará livres (Jo, 8. 32), felizes e filhos de Deus, e tomar consciência de que Deus é nosso PAI, bom e previdente, que se delicia em estar com os Seus filhos.

E sermos estimulados pelo exemplo daqueles que vivem já esta experiência maravilhosa, que só se torna possível se vivermos o Evangelho com amor e humildade, que nos faz ir beber à Fonte de água Viva, Eterna, que se chama Pai.

D. Joppolo