O único guia de
todo o seu fervor é o Amor a Deus, pode-se encontrar
este impulso em todas as suas obras, sem qualquer
medida que possa avaliar as suas possibilidades e as
reações à sua volta.
Em 1939, em África,
encontra os leprosos relegados para a ilha Désirée,
na Costa do Marfim. As pessoas da aldeia,
aterrorizadas com este mal, transportam-nos para a
ilha donde não poderão escapar, abandonados aí à
doença, à solidão e ao desespero. A Madre Eugénia
vai ter com eles e pergunta-lhes:
"Que
gostaríeis de ter? Falai à vontade, amo-vos e
gostaria de vos ajudar. Farei tudo o que puder para
vos ajudar, não desespereis. Prometo-vos que
voltarei o mais depressa possível".
E toca-lhes, sem temer o contágio, para lhes provar
o seu amor.
Raoul Follereau
conta este episódio na sua Autobiografia "A
única Verdade é Amar". Ele diz: "A
ilha Désirée, com a sua luxuriante vegetação,
feita para a felicidade, para o repouso e para a paz,
este paraíso terrestre é, contudo, um lugar de
inferno porque é habitada por seres marcados pelos
mais horríveis sofrimentos... "
"Foi perto dela que um dia pousou o hidroavião
da Madre Eugénia e então estes 'malditos' viram
também descer do céu a Missionária da Caridade.
Ela sorri, estende as mãos, fala-lhes, escuta
pacientemente a sua pobre história, cada um
mostra-lhe as suas feridas e explica-lhe a sua
miséria".
Contra todas as
dificuldades, a Madre Eugénia descobre como
conciliar os regulamentos sanitários com a
impressão de liberdade: construir-se-á a cidade dos
leprosos em plena floresta virgem e assim eles
poderão andar à vontade na cidade, terão
verdadeiramente a impressão de estar livres, uma
cidade onde não mais serão tratados como animais,
mas sim como homens, com todo o respeito e a
dignidade que merecem. Tudo isto, hoje, parece muito
simples, mas em 1939 era um projeto revolucionário e
as pessoas diziam: "É um sonho. uma utopia,
uma quimera; esta mulher é generosa, claro, mas não
sabe o que faz, a sua caridade fá-la ultrapassar os
limites do possível... "