A Madre Eugénia
confia as suas preocupações, com uma voz vibrante e
indignada a Raoul Follereau, que nesse momento estava
escondido no seu Convento por causa da perseguição
alemã. Diz-lhe:
"Na
Europa, fazem guerra! Mílhões de francos para
bombas e canhões! E ali os seres mais pobres do
mundo morrem de fome e de negra miséria. Rapazes de
doze anos sem mãos, desfigurados, que dormem nas
lixeiras. Mulheres novas, enlouquecidas pela fome. E
nós brincamos às guerras! Quero construir uma
cidade na floresta africana onde os leprosos não
sejam tratados como animais. mas sim como homens, com
todo o respeito e dignidade que merecem... "
Follereau sentia na
voz da jovem Irmã uma vontade enorme e decidida a
tudo fazer e diz-lhe: "Minha Madre.
continue o seu trabalho, que eu vou ocupar-me do
dinheiro". A partir desse momento deixou
corajosamente o Convento sem se preocupar com a
perseguição.
Passados 10 anos, em
1950, a cidade está pronta, com a boa vontade de
muitas pessoas e a confiança que a Madre Eugénia
transmitiu e manteve, realizando-se assim o sonho
impossível — e de tal modo se desenvolveu que
se transformou no Instituto Nacional da Lepra da
Costa do Marfim.
A França
atribuiu-lhe a Coroa Cívica, distinção concedida a
Obras de reconhecido caráter social. Com a
confiança que a Madre Eugénia tinha em Deus e o
desejo de ajudar estes doentes, descobriu um novo
medicamento, que o Instituto Pasteur de Paris
aperfeiçoou, dando deste modo um novo impulso à
Ciência.