Vós sois os meus filhos bem-amados

Ao Bispo

Também te quero dizer uma palavra a ti, Meu filho Alexandre, para que os Meus desejos sejam realizados no mundo.

É preciso que, como pai espiritual da “plantinha” do meu Filho Jesus, sejais os promotores desta Obra, quer dizer, deste Culto Especial que Eu espero dos homens. É a vós, meus filhos, que Eu confio esta Obra e o seu futuro tão importante.

Falai, insisti, dai a conhecer o que Eu disser para que Eu seja conhecido, amado e honrado, por todas as minhas criaturas, e tereis feito o que espero de vós, ou seja, a Minha Vontade, e tereis realizado os desejos que desde há muito mantive em silêncio.

De tudo o que fizerdes para Minha Glória, Eu farei o dobro para a vossa salvação e para a vossa santificação. Enfim, será no Céu e só no Céu que vereis a grande recompensa que vos darei, a vós especialmente e a todos os que trabalharem para esta mesma finalidade.

Criei o homem para Mim e é bem justo que Eu seja Tudo para o homem. O homem não saboreará verdadeiras alegrias fora do seu Pai e Criador, porque o seu coração foi feito só para Mim.

Por meu lado também, o meu Amor pelas minhas criaturas é tão grande que a minha maior alegria é poder estar entre os homens.

A minha Glória no Céu é infinitamente grande, mas a minha Glória é ainda maior quando Me encontro entre os meus Filhos, os homens do mundo inteiro. O vosso Céu, minhas criaturas, é no Paraíso com os meus Eleitos, porque é lá, no Céu, que Me contemplareis numa perpétua visão e que gozareis de uma glória eterna. O meu Céu é na Terra com todos vós, ó homens! Sim, é na Terra e nas vossas almas que Eu procuro a minha felicidade e a minha alegria. Podeis dar-Me esta alegria e é mesmo um dever vosso fazê-lo, pelo vosso Criador e vosso Pai, que o deseja e o espera de vós.

A minha alegria por estar entre vós não é menor que a que Eu sentia quando estava com o meu Filho Jesus durante a Sua Vida mortal; o meu Filho, era Eu que O enviava. Foi concebido pelo meu Espírito Santo, que sou Eu também, numa palavra, Ele era sempre Eu.

A vós, minhas criaturas, amando-vos como ao meu Filho que sou Eu, digo-vos como a Ele: vós sois os meus Filhos bem-amados, em quem ponho as minhas complacência. É por isso que Me alegro na vossa companhia e desejo permanecer convosco. A minha Presença entre vós é como o Sol sobre o mundo terrestre: se estiverdes bem dispostos para Me receber, virei junto de vós, entrarei em vós, iluminar-vos-ei, aquecer-vos-ei com o meu Amor infinito.

Vós, almas em estado de pecado ou ignorantes da verdade religiosa, Eu não poderei entrar em vós. Mas estarei, mesmo assim, ao pé de vós, porque nunca deixo de vos chamar, de vos convidar a desejar receber os bens que vos trago para que vejais a Luz e vos cureis do pecado.

Umas vezes olho-vos com compaixão pelo infeliz estado em que vos encontrais; outras vezes, olho-vos com amor para vos dispor a ceder aos atrativos da Graça. Passo, por vezes, dias, anos mesmo, junto de certas almas, para lhes poder assegurar a felicidade eterna. Elas ignoram que Eu estou presente e que as espero, as chamo a cada instante do dia. No entanto, nunca Me canso, e tenho, apesar de tudo, a minha alegria em estar ao pé de vós, sempre na esperança de que um dia acabareis por voltar para o vosso Pai, dando-Me ao menos, antes de morrer, alguns atos de amor.

Eis, por exemplo, uma alma que vai morrer: esta alma foi sempre para Mim como o filho pródigo. (Nota da Madre Eugénia: vi este exemplo concretizar-se, tal como o nosso Pai o disse e eu o escrevo.)

Eu enchia-a de bens e ela ia esbanjar todos esses bens, esses dons gratuitos de seu Pai tão cheio de amor e, ainda por cima, ofendia-me gravemente. Eu esperava-a, seguia-a para toda a parte, dava-lhe novos favores, tais como a saúde e os bens que Eu fazia sair dos seus trabalhos, de modo que ela tinha tudo o que é supérfluo. Por vezes, a minha Providência, obtinha-lhe ainda novos bens. Ela vivia, pois, na abundância, mas só via tudo à triste luz dos vícios e toda a sua vida foi uma trama de desvarios, pelo pecado mortal habitual. Mas o meu Amor nunca se cansou. Eu seguia-a, amava-a e, sobretudo, apesar das recusas que Me opunha, Eu estava contente por viver pacientemente ao pé dela, na esperança de que talvez um dia ela escutasse o meu Amor e voltasse a Mim, seu Pai e seu Salvador.

Por fim aproxima-se o seu último dia. Envio-lhe uma doença para que se possa recolher e voltar a Mim, seu Pai. Mas o tempo passa e eis o meu pobre filho com 74 anos, na sua última hora. Eu estou junto dele como sempre; falo-lhe com mais Bondade do que nunca. Insisto, convoco os meus eleitos para que eles rezem por ele afim de que ele peça o perdão que Eu lhe ofereço… Neste minuto, antes de exalar o último suspiro, ele abre os olhos, reconhece os seus desvarios e como se afastou do verdadeiro caminho que conduz a Mim. Entra em si mesmo; depois, com a sua fraca voz, que ninguém a sua volta ouviu, disse-Me:

Oh, meu Deus, vejo agora como o vosso Amor por mim foi grande e como Vos ofendi continuamente com a minha vida tão má. Eu nunca pensava em Vós, meu Pai e meu Salvador. Agora, por este mal que Vós vedes em mim e que eu reconheço, para minha grande confusão, peço-Vos perdão e eu Vos amo, meu Pai e meu Salvador!

Infant Grabbing Man's FingerMorreu no mesmo instante e ei-lo diante de Mim. Julgo-o com o Amor de um Pai, como ele Me chamou; está salvo. Permanecerá algum tempo no lugar de expiação, e depois será feliz por toda a eternidade. E Eu, depois de Me ter alegrado, durante a sua vida, na esperança de o salvar pelo seu arrependimento, alegro-Me agora mais, com a minha Corte Celeste, por ter realizado o meu desejo e ser o seu Pai por toda a Eternidade.

Quanto às almas que vivem na justiça e na graça santificante, tenho a minha felicidade em estabelecer-Me nelas. Dou-Me a elas, confio-lhes o uso do Meu Poder e, pelo Meu Amor, elas encontram uma antecipação do Paraíso em Mim, seu Pai e seu Salvador!”

Assim termina o primeiro Caderno da Mensagem.

Não peço nada de extraordinário

A-Cruz-da-Jornada-300x210Quero proteger a juventude como um terno Pai. Há tanto mal no mundo! Estas pobres almas sem experiência deixam-se seduzir pelos atrativos do vício que, a pouco e pouco, as conduzem à ruína total.

Ó vós que tendes especial necessidade de alguém que vos guarde na vida para poderdes evitar o mal, vinde a Mim! Eu sou o vosso Pai que vos ama mais que qualquer criatura vos amará alguma vez! Refugiai-vos junto de Mim, confiai-Me os vossos pensamentos e os vossos desejos. Eu vos amarei ternamente. Dar-vos-ei as graças para o presente e abençoarei o vosso futuro. Podeis ter a certeza de que Eu não vos esqueço, desde os 15, 20 ou 30 anos que vos criei. Vinde! Vejo que tendes uma grande necessidade de um Pai doce e infinitamente Bom como Eu.

Sem Me deter em tantas outras coisas que seria muito a propósito dizer aqui, mas que poderei dizer mais tarde, quero agora falar especialmente às almas que Eu escolhi para Mim, Sacerdotes e Religiosos: a vós, os filhos queridos do meu Amor. Tenho grandes desígnios sobre vós!

Ao Papa

Antes de todos os outros, dirijo- Me a ti, meu filho, meu Vigário, para colocar nas tuas mãos esta Obra, que deveria ser a primeira de todas e que, pelo receio que o demônio inspirou ao homem, só com o tempo verá a sua concretização.

Ah, Eu desejaria que tu compreendesses a extensão desta Obra , a sua grandeza, a sua amplitude, a sua profundidade, a sua altura! Desejaria que compreendesses os desejos imensos que tenho sobre a humanidade presente e futura!

Se soubesses como desejo ser conhecido, amado e honrado pelos homens, com um Culto Especial! Este desejo, tenho-o em Mim desde toda a Eternidade e desde a criação do primeiro homem. Este desejo exprimi-o várias vezes aos homens, sobretudo no Antigo Testamento. Mas o homem nunca o compreendeu. Hoje, este desejo faz-Me esquecer todo o passado, desde que se cumpra agora nas minhas criaturas do mundo inteiro.

Desço até à mais pobre das minhas criaturas para poder, na sua ignorância, falar-lhe e, através dela, aos homens, sem que ela se aperceba da grandeza da Obra que Eu desejaria estabelecer no meio deles!

Não posso falar de Teologia com ela, teria a certeza de fracassar, ela não compreenderia. Permito que ela seja assim para que Eu possa realizar a minha Obra com a simplicidade e a inocência. Mas a ti compete pôr esta Obra em estudo e de a levar a cabo o mais depressa possível.

Para ser conhecido, amado e honrado com um culto especial, não peço nada de extraordinário. Eis somente o que desejo:

1. Que um dia, ou pelo menos um Domingo, seja consagrado a honrar-Me especialmente com o Nome de Pai de toda a humanidade.

Desejaria, para esta Festa, uma Missa e um Oficio próprios. Não é difícil encontrar textos na Sagrada Escritura.

Se preferis prestar-Me este Culto Especial num Domingo, Eu escolho o primeiro Domingo de Agosto; se quereis num dia de semana, prefiro que seja sempre no dia 7 de Agosto.

2. Que todo o Clero se dedique a desenvolver este Culto e, sobretudo, que Me dê a conhecer aos homens tal como sou e tal como serei sempre para eles, quer dizer, o Pai mais terno e amante de todos os pais.

3. Desejo que Me façam entrar nos hospitais, até mesmo nas oficinas e nas fábricas, nas casernas, nas salas de deliberação dos ministros das Nações, enfim, em toda a parte onde se encontram as minhas criaturas, nem que seja uma só!

Que o sinal sensível da minha invisível Presença seja uma Imagem, que demonstra que Eu estou realmente presente. Assim todos os homens farão todas as suas ações sob o olhar do seu Pai e Eu próprio terei assim, diante dos Meus olhos, a criatura que Eu adotei depois de a ter criado; assim todos os meus filhos estarão como que sob o olhar do seu terno Pai.

Sem dúvida, Eu estou em toda a parte mesmo agora, mas queria ser representado de uma maneira sensível.

4. Que durante o ano o Clero e os fiéis adotem alguns exercícios de piedade em Minha Honra, sem prejuízo das ocupações habituais.

Que, sem temor, os meus sacerdotes vão por todo o lado, a todas as nações, levar aos homens o facho do Meu Amor Paternal. Então as almas serão iluminadas, ganhas — não só entre os infiéis — mas em todas as seitas, que não estão na verdadeira Igreja.

Sim, que também estes homens que são meus Filhos, vejam brilhar este facho diante deles. Que eles conheçam a Verdade, que abracem e pratiquem sempre as virtudes cristãs.

5. Queria ser honrado especialmente nos Seminários, nos Noviciados, nas escolas, nos colégios. Que todos, do maior ao mais pequenino, possam conhecer- Me e amar como seu Pai, seu Criador e seu Salvador.

6. Que os sacerdotes se apliquem a procurar na Sagrada Escritura o que Eu disse outrora e que permaneceu ignorado até a atualidade, relativamente ao culto que desejo receber dos homens. Que trabalhem para fazer chegar os Meus desejos e a minha Vontade a todos os fiéis e a todos os homens, especificando o que Eu direi para todos os homens conjuntamente e para os sacerdotes, religiosos e religiosas em particular. Estas são as almas que Eu escolho para Me prestarem grandes homenagens, mais do que os homens do mundo.

Sim, será preciso tempo para se chegar a uma completa realização destes desejos que concebi sobre a humanidade e que te dei a conhecer! Mas um dia, com as orações e sacrifícios das almas generosas que se imolarão por esta Obra do Meu Amor, sim, um dia, EU serei satisfeito. Eu te abençoarei, Meu Filho Bem Amado, e te darei o cêntuplo de tudo o que fizeres pela Minha Glória.

“Pedi e recebereis”

Os homens julgam que Eu sou o Deus terrível e que precipito toda a humanidade no inferno. Que surpresa, no fim dos tempos, quando virem tantas almas, que julgavam perdidas, usufruir da eterna felicidade, no meio dos eleitos!

Gostaria que todas as minhas criaturas tivessem a convicção que há um Pai que vela por elas e que gostaria de lhes dar mesmo nesta Terra, uma antecipação da felicidade eterna.

Uma mãe nunca esquece a pequena criatura que acaba de dar à luz. Não é ainda mais belo da minha parte lembrar-Me de todas as criaturas que coloco no mundo?

Ora, se a mãe ama este pequeno ser que Eu lhe dei, Eu o amo mais do que ela porque o criei. Se uma mãe amasse menos o seu filho por causa de algum defeito, Eu, pelo contrário, amá-lo-ia ainda mais. Ainda que ela o viesse a esquecer ou só raramente a pensar nele, sobretudo quando a idade o subtraísse à sua vigilância, Eu nunca o esquecerei. Amo-o sempre, e ainda que ele não mais se lembre de Mim, seu Pai e seu Criador, Eu lembro-me dele e continuo a amá-lo.

Disse-vos mais acima que queria dar-vos mesmo nesta Terra a felicidade eterna, mas vós não compreendestes esta frase. Eis o seu significado:

regresso_filho_prodigoSe Me amais e Me chamais com confiança com o doce Nome de Pai, começais já nesta Terra a viver no amor e na confiança que farão a vossa felicidade na Eternidade e que cantareis no Céu na companhia dos eleitos. Não é isso uma antecipação da felicidade do Céu que durará eternamente?

Desejo, pois, que o homem se recorde muitas vezes que Eu estou onde ele está. Que não poderia viver se Eu não estivesse com ele, vivendo como ele. Apesar da sua incredulidade nunca deixo de estar ao pé dele.

Ah! Como eu desejo ver realizar-se o projeto que vos quero comunicar e que é o seguinte: Até agora o homem nunca pensou em dar a Deus, seu Pai, o prazer que vou revelar:

Eu queria ver estabelecer-se, uma grande confiança entre o homem e o seu Pai dos Céus, um verdadeiro espírito de familiaridade e de delicadeza para não se abusar da minha grande Bondade. Eu conheço as vossas necessidades, os vossos desejos, e tudo o que tendes em vós. Mas como ficaria contente e reconhecido se vos visse vir ter comigo e fazer-Me as confidências das vossas necessidades, como um filho confiante faz com o seu pai! Como vos poderia recusar fosse o que fosse, de menor ou de maior importância, se Mo pedísseis?

Ainda que não Me vejais, não Me sentis ao pé de vós através dos acontecimentos? Como seria meritório para vós, um dia, o fato de terdes acreditado em Mim sem Me terdes visto!

Mesmo agora, que Eu estou aqui, em pessoa, no meio de todos vós, que vos falo, repetindo-vos sem cessar, sob todas as formas, que vos amo e quero ser conhecido, amado e honrado com um Culto Especial, vós não Me vedes, exceto uma única pessoa, aquela a quem dito a Mensagem! Uma única, em toda a Humanidade! No entanto, Eu vos falo e naquela que Eu vejo e a quem falo, vejo-vos a vós todos e falo-vos a todos e a cada um e amo-vos como se Me vísseis!

Desejo, pois, que os homens Me possam conhecer e sentir que Eu estou junto de cada um deles! Lembrai-vos ó homens, que Eu desejaria ser a esperança da Humanidade -e não o sou já? Se Eu não fosse a esperança do homem, o homem estaria perdido! Mas é preciso que Eu seja conhecido como tal, para que a Paz, a Confiança e o Amor, entrem no coração dos homens e cheguem a pô-los em relação com o seu Pai do Céu e da Terra!

Não penseis que Eu sou aquele terrível velho que os homens representam nas suas imagens e livros. Não, não! Eu não sou nem mais velho, nem mais novo, que o meu Filho e o meu Espírito Santo!

É por isso que Eu gostaria que todos, desde a criança ao idoso, Me chamassem pelo nome familiar de Pai e de Amigo, pois estou sempre convosco, e de Irmão, pois Me faço semelhante a vós, para vos ver fazer semelhantes a mim.

Como ficaria contente se visse os pais ensinarem aos seus filhos, a chamar-Me muitas vezes pelo Nome de Pai, como Eu o sou! Como Eu desejaria ver colocar nessas almas jovens uma confiança, um amor todo filial para comigo! Fiz tudo por vós; não fareis isso por Mim?

Gostaria de Me estabelecer em cada família como num domínio Meu, para que todos pudessem dizer, com toda a segurança: “Temos um Pai que é infinitamente Bom, imensamente rico e altamente misericordioso. Ele pensa em nós, está junto de nós, ama-nos, observa-nos sustenta-nos, dar-nos-á tudo o que nos faz falta , se Lho pedirmos. Todas as Suas riquezas são nossas, teremos tudo o que precisamos”.

Eu estou expressamente presente para que Me peçais o que vos faz falta: “Pedi e recebereis”.

Na minha paternal Bondade dar-vos-ei tudo , desde que todos saibam considerar-Me como um verdadeiro Pai, que vive no meio dos seus, como de fato faço.

Desejo ainda que cada família exponha à vista de todos a Imagem que mais tarde Eu darei a conhecer à minha “filhinha”. Desejo que todas as famílias se coloquem, assim, sob a minha especialíssima proteção, para Me poderem honrar mais facilmente. Junto dela, todos os dias, a família deverá expor as suas necessidades, os seus trabalhos, as suas penas, os seus sofrimentos, os seus desejos, e também as suas alegrias, porque um Pai deve conhecer tudo o que diz respeito aos seus filhos.

Claro que Eu o sei, mas gosto tanto da simplicidade, e sei conformar-Me com a vossa condição. Faço-Me pequeno com os pequenos, maduro com os homens de idade madura, com os velhos torno-Me semelhante a eles, para que todos compreendam o que lhes quero dizer, para sua santificação e para minha glória.

Não tendes a prova do que acabo de vos dizer no meu Filho, que se fez pequeno e fraco como vós? Não a tendes ainda agora vendo-Me aqui a falar-vos? E para que possais compreender o que vos quero dizer, não tomei para vos falar uma pobre criatura como vós? Não Me faço agora semelhante a vós?

Vede: Pus a minha Coroa aos meus Pés, o mundo sobre o meu Coração. Deixei a minha Glória no Céu e vim aqui, fazendo-Me todo para todos, pobre com os pobres e rico com os ricos.

Quero ser conhecido, amado e honrado!

nuvem_coracaoAo dar-vos a vida, quis criar à minha semelhança. O vosso coração é, portanto, sensível como o Meu, e o Meu como o vosso!

Que não faríeis vós se um dos vossos próximos vos prestasse algum pequeno serviço para vos ser agradável? O homem mais frio conservaria sempre para com essa pessoa um reconhecimento inesquecível. Qualquer homem em geral procuraria mesmo o que lhe desse mais prazer para o recompensar pelo serviço prestado. Ora bem, Eu serei muito mais grato para convosco, assegurando-vos a vida eterna, se Me prestardes o pequeno serviço de Me honrar como vo-lo peço.

Reconheço que Me honrais através do meu Filho e há quem saiba fazer subir tudo até Mim por meio d’Ele, mas é um bem pequeno número! Contudo não penseis que ao honrar o meu Filho não Me honrais! Sim, vós Me honrais, pois Eu permaneço no meu Filho! Portanto, tudo o que é glória para Ele, é-o também para Mim!

Mas Eu gostaria de ver o homem honrar o seu Pai e Criador com um Culto Especial. Quanto mais Me honrardes, tanto mais honrareis o meu Filho, porque segundo a minha Vontade, Ele fez-Se Verbo Incarnado e veio até vós para vos dar a conhecer Aquele que O enviou.

Se Me conhecerdes, amar-Me-eis e amareis o meu Filho Bem-Amado, mais do que o fazeis agora. Vede quantas das minhas criaturas, tornadas minhas filhas pelo mistério da Redenção, ainda não estão nas pastagens que Eu estabeleci, por meio de meu Filho, para todos os homens. Vede quantos outros — e vós os conheceis -ignoram ainda estas pastagens; e tantas criaturas saídas das minhas Mãos, de que só Eu conheço a existência, e vós não, que nem sequer conhecem a Mão que as criou!

Ah! Como Eu gostaria de Me dar a conhecer como o Pai Onipotente que sou para vós e que serei também para eles, pelos meus benefícios! Eu gostaria de os fazer viver uma vida mais doce, pela minha Lei. Gostaria que fosseis ter com eles em meu Nome e que lhes falásseis de MIM. Sim, dizei-lhes que têm um Pai que, depois de os ter criado, lhes quer dar os tesouros que possui. Sobretudo dizei-lhes que Eu penso neles, que os amo e que lhes quero dar a felicidade eterna.

Ah! Eu vos prometo: os homens converter-se-ão mais depressa!

Acreditai que se tivésseis começado desde a Igreja Primitiva a honrar-Me e a fazer-Me honrar por um culto especial, decorridos vinte séculos bem poucos homens teriam permanecido na idolatria, no paganismo e em tantas seitas falsas e más, nas quais o homem corre de olhos fechados para se precipitar nos abismos do fogo eterno! E vede quanto trabalho há ainda para fazer!

A minha hora chegou! É preciso que Eu seja conhecido, amado e honrado pelos homens, para que, depois de os ter criado, Eu possa ser o seu Pai, depois o seu Salvador, e por fim o Objeto das suas delícias eternas!

Até agora falei-vos de coisas que já sabíeis; quis recordá-las para que vos convençais realmente de que Eu sou um Pai muito bom e não terrível, como julgais, e também que Eu sou o Pai de todos os homens atualmente vivos e dos que hei-de criar até ao fim do mundo.

Sabei também que Eu quero ser conhecido, amado, e sobretudo, honrado. Que todos reconheçam as minhas infinitas Bondades para com todos e sobretudo para com os pobres pecadores, os doentes, os moribundos e todos os que sofrem. Que eles saibam que Eu só tenho um desejo: amá-los a todos, dar-lhes as minhas graças, perdoar-lhes quando estão arrependidos e sobretudo não os julgar com a minha Justiça, mas sim com a minha Misericórdia, para que todos sejam salvos e colocados no número dos meus eleitos.

Para concluir esta pequena exposição, faço-vos uma promessa cujo efeito será eterno:

Chamai-me pelo nome de Pai,
com confiança e Amor,
e recebereis tudo deste Pai
com amor e misericórdia.

Que o meu filho, o teu pai espiritual, saiba ocupar-se da minha Glória e pôr frase por frase o que te fiz escrever e também o que ainda te farei escrever, para que os homens achem fácil e agradável ler o relato daquilo que Eu quero que eles saibam, sem contudo acrescentar nada.

Todos os dias te falarei um pouco acerca dos meus desejos sobre os homens, das minhas alegrias, das minhas penas e sobretudo mostrarei aos homens as minhas infinitas Bondades e a ternura do meu Amor Compassivo.

Gostaria também que as tuas Superioras te permitissem empregar os teus momentos de liberdade para estares comigo e que pudesses, todos os dias, durante meia hora, consolar-Me e amar-Me e obter assim que os corações dos homens, meus filhos, fiquem bem dispostos para trabalhar para a extensão deste Culto, de que vos venho revelar a forma, para que chegueis a uma grande confiança neste Pai que quer ser amado pelos seus filhos.

Para que esta Obra, que desejo instituir entre os homens, se possa espalhar a todas as nações o mais rapidamente possível, sem que contudo aqueles que estiverem encarregados de a estender cometam a mais pequena imprudência, peço-te que passes os teus dias num grande recolhimento. Serás feliz por falar pouco com as criaturas e, mesmo quando estiveres no meio delas, falar-Me-ás e escutar-Me-ás no segredo do teu coração.

Eis, aliás, o que Eu quero que faças: Quando, por vezes, Eu te falar, escreverás as minhas confidências num caderno especial. Mas aqui, desejo falar aos homens: Vivo com os homens numa maior intimidade que uma mãe com os seus Filhos.

Desde a criação do homem não deixei um só instante de viver junto dele; como Criador e Pai do homem, sinto como que uma necessidade de o amar. Não é que Eu precise dele, mas o meu Amor de Pai e Criador faz-Me sentir esta necessidade de amar o homem. Vivo portanto junto do homem, sigo-o por toda parte, ajudo-o em tudo, supro a tudo. Vejo as suas necessidades, os seus sofrimentos, todos os seus desejos, e a minha maior felicidade é socorrê-lo e salvá-lo.

Eu vos amo com tanta ternura!

Vede: neste relato estamos apenas no primeiro dia do primeiro século e Eu desejo trazê-lo até aos nossos dias: ao século XX.

Oh, como o Meu Amor de Pai foi esquecido pelos homens!

Contudo, Eu vos amo com tanta ternura! No meu Filho, quer dizer, na Pessoa do meu Filho feito Homem, o que não continuei a fazer! A Divindade, nesta Humanidade, ficou velada, pequena, pobre, humilhada. Eu levava, com o meu Filho Jesus, uma vida de sacrifício o de trabalho. Recebia as Suas orações para que o homem tivesse um caminho traçado de modo a caminhar sempre na justiça para vir em segurança até Mim!

Eu sei compreender bem a fraqueza dos meus filhos! Por isso pedi a Meu Filho para lhes dar os meios de sustentar a sua fraqueza. Tais meios ajudá-los-ão a purificar-se dos seus pecados para continuarem a ser os filhos do Meu Amor. Esses meios são, principalmente, os Sete Sacramentos e, sobretudo, o grande meio para vos salvar apesar das vossas quedas: A Cruz, o Sangue do meu Filho que, a cada instante, se derrama sobre vós, desde que o desejeis, quer pelo sacramento da Penitência, quer também pelo Santo Sacrifício da Missa.

Meus queridos filhos, há vinte séculos que Eu vos cumulo destes bens com graças especiais e o resultado é mínimo! Quantas das minhas criaturas, tornadas filhas do meu Amor pelo meu Filho, lançaram-se rapidamente no abismo eterno! Na verdade, eles não conheceram a minha Infinita Bondade. Eu vos amo tanto! (Expressão preferida da Irmã Eugénia e que aparece freqüentemente.)

Ah, ao menos vós, que sabeis que Eu venho em Pessoa para vos falar, vos dar a conhecer o Meu Amor, por piedade por vós próprios, não vos lanceis no precipício. Eu sou vosso Pai!

Seria possível que depois de Me terdes chamado Pai e de Me terdes testemunhado o vosso amor, encontrásseis em Mim um coração tão duro e insensível que vos deixasse perecer? Não! Não! Nem o penseis! Eu sou o melhor dos Pais. Conheço a fraqueza das minhas criaturas. Vinde! Vinde a Mim com confiança e amor! E Eu vos perdoarei com o vosso arrependimento. Ainda que os vossos pecados fossem repugnantes como a lama, a vossa confiança e o vosso amor levar-Me-ão a esquecê-los, de modo que não sereis julgados. É verdade que Eu sou justo, mas o Amor apaga tudo!

Escutai meus filhos, façamos uma suposição e tereis a certeza do meu amor: para Mim, os vossos pecados são como ferro; para Mim, os vossos atos de amor são como ouro. Se Me entregásseis mil quilos de ferro nunca seria tanto como se Me désseis dez quilos de ouro! Isto significa que com um pouco de amor se podem redimir imensas iniquidades.

Eis aqui uma fraquíssima imagem do meu Juízo sobre todos os meus filhos, os homens, sem exceção. Devem, pois, vir ter comigo!

Estou tão perto de vós! Deveis, pois, amar-Me e honrar-Me para não serdes julgados ou para serdes julgados com amor infinitamente misericordioso.

Não duvideis! Se o meu coração não fosse feito assim já teria exterminado o mundo tantas vezes quantos os pecados que ele tem cometido! Mas, como sois testemunhas, a cada instante manifesta-se antes a minha proteção por meio de graças e benefícios. Daí podeis concluir que há um Pai acima de todos os pais, que Ele vos ama e que não deixará de vos amar, desde que o queirais.

eucaristiaVenho ter convosco por meio de dois caminhos: a Cruz e a Eucaristia.

A Cruz é o meu caminho para descer até os meus filhos porque foi por ela que Eu os fiz redimir pelo meu Filho. E, para vós, a Cruz é o vosso caminho para ascender até o meu Filho e, pelo meu Filho, até Mim. Sem ela nunca poderíeis fazer esta caminhada porque o homem, pelo pecado, atraiu sobre si a separação de Deus como castigo.

Pela Eucaristia resido entre vós como um Pai na sua família. Quis que o meu Filho instituísse a Eucaristia para fazer de cada Sacrário o reservatório das minhas graças, das minhas riquezas e do meu amor, para os dar aos meus Filhos, os homens.

É ainda por estes dois caminhos que Eu faço descer o Poder e a minha infinita Misericórdia.

Agora que vos mostrei que o meu Filho Jesus Me representa entre os homens e que por Seu intermédio Eu permaneço sem cessar entre eles, quero mostrar-vos também que Eu venho estar convosco por meio do meu Espírito Santo.

A obra desta Terceira Pessoa da minha Divindade é levada a cabo sem ruído e muitas vezes o homem não se apercebe dela. Mas para Mim é um meio muito apropriado para permanecer, não só no Sacrário, mas também na alma de todos os que estão em estado de graça, para aí estabelecer o meu Trono e permanecer sempre como verdadeiro Pai que ama, protege e ampara o seu filho. Ninguém pode compreender a alegria que sinto quando estou sozinho com uma alma. Ninguém compreendeu até agora os infinitos desejos do meu Coração de Deus Pai, de ser conhecido, amado e honrado por todos os homens justos e pecadores. E são estas três homenagens que EU desejo receber em desagravo dos maiores pecadores,

O que Eu não fiz ao meu povo desde Adão até José, pai adotivo de Jesus, e desde José até este dia, para que o homem Me possa prestar o culto especial que Me é devido como Pai, Criador e Salvador! No entanto, este Culto Especial que Eu tanto desejei e que continuo a desejar, ainda não Me foi dado!

No livro do Êxodo ledes que é preciso honrar a Deus com um culto especial. Os Salmos de David, sobretudo, encerram o mesmo ensinamento. Nos Mandamentos que dei a Moisés coloquei em primeiro lugar: “Um só Deus adorarás e amarás perfeitamente”.

Ora, amar e honrar alguém são duas coisas que andam juntas. Posto que vos cumulei de tantos benefícios devo, pois, ser particularmente honrado por vós!

Quem é o Messias?

Eu quis ficar sempre neste mundo, entre os homens. Durante o Dilúvio, Eu estava junto de Noé, o único Justo então. Nas outras calamidades, Eu encontrava sempre um Justo junto de quem permanecer e por seu intermédio Eu ficava entre os homens desse tempo. E foi sempre assim.

O mundo foi muitas vezes purificado da sua corrupção pela minha infinita Bondade para com a humanidade. Então, Eu continuava a escolher almas nas quais Me comprazia, para que, por elas, Eu Me pudesse comprazer nas minhas criaturas , os homens.

Eu tinha prometido ao Mundo o Messias. O que Eu fiz para preparar a sua Vinda, mostrando-Me nas figuras que O representavam, mesmo mil e dois mil anos antes da Sua Vinda! Porquê, este Messias? Quem é Ele? Donde vem? Que fará Ele na Terra? Quem é que vem representar?

O Messias é Deus

– Quem é Deus? Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

– Donde vem Ele, ou melhor, quem Lhe deu ordem para vir ter com os homens? Fui Eu, Seu Pai, Deus.

– Quem representará Ele na Terra? O Seu Pai.- Deus.

– Que fará Ele na Terra? Fará conhecer e amar o Pai: Deus.

Não disse Ele:

“Não sabeis que Eu devo cuidar das coisas de meu Pai? Nesciebatis quia in his, quae Patris mei sunt oportet me esse” (em São Lucas cap. 2, vers. 49).

– Vim para fazer a vontade de meu Pai.

– Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu Nome Ele vo-lo concederá (Jo 15,16).
Rezai-lhe assim: “Pai Nosso, que estais nos Céus…”, e como veio para glorificar o Pai e dá-Lo a conhecer aos homens, disse:

– Quem Me vê, vê o Pai (Jo., 14,9)

– Eu estou no Pai e o Pai está em Mim (Jo, 14,10).

– Ninguém vem ao Pai senão por Mim — ” Nemo venit ad Patrem nisi per me”: em São João, cap. 14,vers. 6.

– Quem está coMigo, está também com meu Pai , etc., etc.

Concluí, ó homens, que desde toda a Eternidade Eu só tive um desejo: o de Me dar a conhecer aos homens e de Me fazer amar, desejando permanecer permanentemente junto deles.

Quereis uma prova real deste desejo que acabo de exprimir?

Porque ordenei a Moisés a construção do Tabernáculo e a Arca da Aliança a não ser por causa do meu ardente desejo de vir habitar como um Pai, um Irmão, um Amigo confiante, com as minhas criaturas, os homens? Apesar disso eles esqueceram-Me, ofenderam-Me com inumeráveis pecados. E para que eles se lembrassem, apesar de tudo, do seu Pai, Deus, e do único desejo que Ele tem de os salvar, dei os meus Mandamentos a Moisés, para que, observando-os, eles pudessem lembrar-se do Pai infinitamente bom, sempre ocupado com a sua salvação atual e eterna.

dez-mandamentosTudo isso caiu de novo no esquecimento e os homens perderam-se no erro e no temor, achando difícil observar as Leis que Eu lhes tinha dado através de Moisés. Forjaram outras leis de acordo com os seus vícios para as cumprir com maior facilidade. A pouco e pouco, no temor exagerado que tinham de Mim, voltaram a esquecer-Me e a encher-Me de ultrajes.

No entanto, o meu amor por estes homens, filhos Meus, não se extinguiu. Quando verifiquei que nem os Patriarcas, nem os Profetas, conseguiam fazer-Me amar e conhecer pelos homens, resolvi ir Eu próprio.

Mas como fazer para andar no meio dos homens? Não havia outro meio senão ir Eu próprio, na Segunda Pessoa da minha Divindade.

E os homens conhecer-Me-iam, escutar-Me-iam?

Para Mim, nada estava escondido no futuro e conhecia a resposta a estas duas perguntas. Eu respondia a Mim mesmo.

Eles ignorarão a minha presença, apesar de estarem ao pé de Mim. No Meu Filho, hão-de maltratar-Me, apesar de todo o bem que Ele lhes fizer. No Meu Filho hão-de caluniar-Me e crucificar-Me para Me dar a morte.

Havia de parar por causa disso? Não! O meu Amor é excessivamente grande pelos meus Filhos, os homens!

Não parei, mas reconhecei que vos amei, por assim dizer, mais que ao meu Filho Bem-Amado, ou melhor, mais que a Mim mesmo.

O que vos acabo de revelar é de tal modo verdadeiro que se tivesse bastado uma das minhas criaturas para expiar o pecado dos outros homens, com uma vida e uma morte como a do meu Filho, Eu teria hesitado. Porquê? Porque Eu atraiçoaria o meu Amor fazendo sofrer outra criatura que amo em vez de sofrer Eu próprio, no meu Filho. Eu jamais teria querido fazer assim sofrer os meus filhos.

Eis, pois, em resumo o relato do meu Amor até a minha vinda, por meio do meu Filho, para o meio dos homens.

Todos estes acontecimentos são conhecidos pela maior parte dos homens, mas eles ignoram o essencial, ou seja, que foi o Amor que tudo conduziu!

Sim, é Amor. É isso que quero esclarecer neste relato que acabais de ler.

Este Amor é esquecido. Quero recordá-lo para que aprendais a conhecer-Me tal como sou. Para que não tenhais medo, como escravos, de um Pai que vos ama a este ponto.

O objetivo da revelação de Deus Pai

1º de Julho de 1932 – Festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

Eis, enfim, o dia para sempre Bendito da promessa do Pai Celeste!

Hoje terminam os longos dias de preparação e sinto-me perto, muito perto, da vinda do meu Pai e do Pai de todos os homens. Alguns minutos de oração e depois que alegrias espirituais! Fui tomada de uma sede de O ver e de O ouvir.

O meu coração, todo ardente de amor, abria-se com uma confiança tão grande que eu mesma verificava que nunca tinha sido até agora tão confiante com ninguém.

O pensamento do meu Pai lançava-me numa alegria louca.

Por fim começam a ouvir-se cânticos! Vêm Anjos anunciar-me esta feliz chegada! Os seus cânticos eram tão belos que resolvi escrevê-los, logo que pudesse. Essa harmonia parou um instante e eis o cortejo dos eleitos, dos Querubins e dos Serafins, com Deus, nosso Criador e nosso Pai!

Prostrada, de face por terra, abismada no meu nada, recitei o Magnificat. Logo a seguir o Pai disse-me para me sentar e escrever o que Ele decidiu dizer aos homens.

Toda a Corte que O tinha acompanhado desapareceu. O Pai ficou sozinho comigo e antes de se sentar, disse-me:

“Já te disse e volto a dizer: não posso dar outra vez o meu Filho Bem-Amado para provar o Meu Amor pelos homens. Ora, é para os amar e para que eles conheçam este Amor que Eu venho ao seu encontro, assumindo a sua semelhança e a sua pobreza.

Vê, deponho a minha Coroa e toda a minha Glória para tomar a atitude de um homem normal!”

Reprodução da imagem original de Deus Pai, feita por indicação de Madre Eugênia
Reprodução da imagem original de Deus Pai, feita por indicação de Madre Eugênia

Depois de ter assumido a atitude de um homem comum, depondo a Sua coroa e a Sua glória a Seus pés, pegou no globo do mundo, aconchegado ao Seu coração, segurando-o com a mão esquerda, e sentou-se ao pé de mim.

Quase não sou capaz de dizer uma palavra sobre a Sua chegada e a atitude que se dignou tomar, assim como sobre o Seu Amor!

Na minha ignorância não encontro palavras para exprimir o que Ele me fez compreender.

“Paz e salvação a esta casa – diz – e ao mundo inteiro! Que o meu Poder, o meu Amor e o meu Espírito Santo toquem os corações dos homens, para que toda a humanidade se volte para a salvação e venha ao seu Pai, que a procura para a amar e salvar! Que o meu Vigário Pio XI compreenda que estes são dias de salvação e de bênção. Que não perca a oportunidade de chamar a atenção dos filhos para o seu Pai, que vem ter com eles para lhes fazer bem nesta vida e preparar a sua salvação eterna.

Escolho este dia para começar a minha Obra entre os homens porque é a Festa do Preciosíssimo Sangue do meu Filho Jesus. Tenho a intenção de amassar neste Sangue a Obra que venho começar, para que dê grandes frutos em toda a humanidade.

Eis o Verdadeiro Objetivo da minha Vinda:

1. Eu venho para banir o temor excessivo que as minhas criaturas têm de Mim e para lhes fazer compreender que a minha alegria está em ser conhecido e amado pelos Meus filhos, ou seja, por toda a humanidade presente e futura.

2. Eu venho trazer a esperança aos homens e às nações. Quantos a perderam há tanto tempo! Esta esperança fa-los-á viver em paz e segurança, trabalhando para a sua salvação.

3. Eu venho para Me dar a conhecer tal como sou. Para que a confiança dos homens cresça, ao mesmo tempo que o seu amor por Mim, seu Pai, que só tenho uma única preocupação: a de velar por todos os homens e amá-los como meus Filhos.

O pintor delicia-se na contemplação do quadro que pintou tal como Eu me deleito na obra-prima da minha criação, pondo a minha alegria na convivência com os homens.

O tempo urge e Eu gostaria que o homem soubesse, o mais depressa possível, que Eu o amo e que sinto a maior felicidade em estar e conversar com ele, como um Pai com os seus filhos.

Eu sou o Eterno e quando vivia sozinho, já tinha resolvido aplicar a minha Onipotência para criar seres à minha Imagem. Todavia era necessária a criação material, para que esses seres pudessem encontrar a sua subsistência, então foi a criação do mundo! Eu enchi-o do que Eu sabia que devia ser necessário aos homens: o ar, o sol, a chuva, e tantas outras coisas que Eu sabia que eram necessárias para a sua vida.

Enfim, o homem foi criado! Eu comprazia-Me na minha obra. O homem praticou o pecado, mas foi então que a minha Bondade infinita se mostrou.

Para viver entre os homens que Eu criava, escolhi Profetas, como se vê no Antigo Testamento, a quem comuniquei os meus desejos, as minhas penas e as minhas alegrias para que eles as comunicassem a todos.

Quanto mais aumentava o mal, tanto mais a minha Bondade Me impelia a comunicar-Me a almas justas para que elas transmitissem as minhas ordens àqueles que causavam a desordem. Por isso tive às vezes de usar de severidade para os repreender, não para os castigar — o que só teria feito mal — mas para os desviar do vício e para os fazer retornar ao seu Pai e seu Criador, de quem se tinham esquecido, na sua ingratidão.

Mais tarde, o mal submergiu de tal modo o coração dos homens que fui obrigado a enviar castigos sobre o mundo para que o homem fosse purificado pelo sofrimento, pela destruição dos seus bens, ou mesmo a perda da sua vida – foi o Dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, as guerras entre os homens, e assim por diante.